Muito se fala sobre educação e sua importância na formação social, no
desenvolvimento cultural e econômico porém as política educacionais são de fato
tratadas com a mesma seriedade que pregam os discursos ou, de fato, não passam
de mera bijuteria na mão dos gestores?
Nos últimos
meses a população de Caraguatatuba teve a oportunidade de assistir uma
verdadeira corrida para a reforma de quase toda a rede municipal de educação.
Paredes pintadas, piso, portões e portais de acesso em desenho da assinatura já
conhecida por todos, pequenas coberturas, portas, etc.
Ninguém discorda
que o cuidado com o ambiente escolar deve ser uma preocupação do gestor público
e que desse também depende a qualidade da educação que terão acesso os
munícipes. Penso que seria inadmissível escolas em situação de precariedade e
que ofereçam risco a segurança de seus alunos, porém é sempre bom equilibrar as
coisas. Digo isso porque o empenho que se observou na reforma das unidades
escolares não se refletiu no que diz respeito a real infraestrutura da educação,
por exemplo, laboratórios e bibliotecas não tiveram a mesma prioridade que a
estética cenográfica das instituições.
Tiremos como
exemplo as bibliotecas. Os item 4.1.1 do Plano Nacional de Educação que trata
de “Biblioteca: instalações, espaço físico e organização” quando observado no Sistema
Integrado de Monitoramento do Ministério da Educação (SIMEC) aponta para todos
os itens de avaliação: 0%.
Inacreditável
0% foi o empenho da prefeitura em dar as escolas infraestrutura adequada ao
processo educacional, mas as paredes... todas bem pintadas.
Ninguém faz
critica a reforma de unidades escolares, mas há de se ter o bom senso na hora
de pesar as prioridades e aplicar os recursos visto que a biblioteca escolar
deve ter papel de destaque no processo educativo, devido as várias informações
e materiais que pode oferecer.
Valmira
Perucchi, em "A IMPORTÂNCIA DA BIBLIOTECA NAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS
DE CRICIÚMA - SANTA CATARINA" diz que é objetivo da biblioteca servir
diretamente às escolas ou instituições de ensino com o mesmo rigor das
bibliotecas especializadas. Porém, sua finalidade é contribuir ativamente com a
educação colocando à disposição dos professores, alunos e demais interessados,
o material necessário para o enriquecimento do programa escolar, habilitando-os
a utilizar os livros e desenvolver a capacidade de pesquisa, além de sustentar
os programas de ensino.
Biblioteca
deve ser organizada para integrar-se com a sala de aula no desenvolvimento do
currículo escolar, e ter como objetivo despertar a leitura desenvolvendo o
prazer de ler, podendo servir como suporte para a comunidade em suas
necessidades de informação no cotidiano.
Segundo SOBRAL
(1982), a pedagogia define biblioteca escolar como força propulsora do processo
educacional, instrumento que colabora com as metas educativas e força
responsável pelas diversas atividades empregadas no desenvolvimento do
currículo.
De acordo com
CASTRILLÕN (1985), o conceito de biblioteca escolar parte da análise das
funções de biblioteca com relação ao sistema educativo, o currículo, a leitura,
o desenvolvimento da capacidade de pesquisa, da criatividade, com a
aprendizagem permanente, a comunicação, a recreação, a Capacitação do
professor, a informação educativa e a relação com a comunidade.
A difusão da
informação como da cultura, exige que estejam presentes na biblioteca,
atualmente, todas as formas de registro e meios de difusão do conhecimento
(livros, jornais, revistas, filmes, computadores), e que a presença dos usuários
aconteça de forma dinâmica, criativa, viva e envolvente.
Na contramão
da lógica educacional Caraguatatuba segue seu caminho e no SIMEC se observa a
justificativa do município “Na rede municipal de ensino não existem bibliotecas
nas escolas e sim salas de leitura. As escolas estão se adequando a nova
legislação. Existe ainda duas bibliotecas sob responsabilidade da Secretaria
Municipal de Educação” Mas as escolas estão um brinco...
Por: Rogério Grossi de Britto

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